SELEÇÃO DOS MAIS IMPORTANTES TRECHOS DA CORRESPONDÊNCIA DIPLOMÁTICA BRITÂNICA, ESPECIALMENTE DO MARECHAL BERESFORD AO DUQUE DE WELLINGTON, SOBRE A “ABRILADA” (1824)

Dom João VI

Postado pela Ação Restauracionista em 2024-10-15 15:34:00

Fui chamado naquela manhã alguns minutos antes do meu horário habitual, por volta das seis e meia, com a notícia de que o palácio do rei havia sido atacado, que o infante Dom Miguel escapara por uma janela e que se encontrava com as tropas nas redondezas, onde estavam aquartelados alguns regimentos. (…)

As tropas estavam todas em armas e davam vivas ao rei, à rainha e ao infante. (…)

Quando cheguei ao palácio, por volta das oito horas, poucos se encontravam no local. Tentei subir para ver Sua Majestade, mas os sentinelas me impediram, dizendo que as ordens eram do infante Dom Miguel. O rei, ao saber que eu estava presente, mandou um oficial para pedir que eu subisse, mas o oficial de guarda insistiu que era necessária autorização do infante. (…)

Encontrei o rei em estado de profunda aflição e extremo alarme. Perguntei-lhe a causa do ocorrido; ele nada sabia, apenas me implorou que não o deixasse. (…)

Cerca de uma hora depois de minha chegada, veio Sua Majestade a rainha, e eu já não podia duvidar de que ela estava por trás de tudo. O rei me perguntou como deveria recebê-la; aconselhei-o a tratá-la como de costume e a nada dizer. (…) A rainha fingiu surpresa, queixando-se de dor de cabeça e de ter sido despertada abruptamente. Porém, quando o rei virou as costas, disse-me rapidamente: “São todos presos, o Palmella também.”


Pressão diplomática e libertação dos ministros

Antes mesmo que eu chegasse, todo o corpo diplomático havia sido chamado ao palácio. (…) O rei, ao recebê-los, pediu que eu permanecesse ao seu lado, pois de fato estava sem ministros.

Coube ao núncio pontifício ser o porta-voz da ocasião, mas o embaixador francês, Monsieur de Neuville, tomou a palavra e, com excessivo ardor, defendeu abertamente a causa do conde de Subserra, dizendo com violência que o rei deveria restituí-lo ao cargo. (…)

Em seguida, o mesmo embaixador começou a interrogar o rei e chegou a insinuar que o infante deveria ser declarado traidor. (…)

(Beresford observa que havia clara pressão diplomática — especialmente francesa — pela libertação de ministros presos e, em particular, do marquês de Palmela, que logo seria solto.)


Submissão de Dom Miguel e libertação de Palmela

Pouco depois, o infante chegou e mostrou-se inteiramente submisso a seu pai, dizendo que tudo o que fizera fora pela segurança dele e que obedeceria em tudo às suas ordens. Fez a mesma declaração diante do corpo diplomático. (…)

Percebi que o jovem fora completamente enganado, acreditando em histórias forjadas por outros para seus próprios fins. (…)

O rei ordenou que as tropas voltassem aos quartéis, e o príncipe foi pessoalmente executar a ordem, retornando e passando a noite no palácio. (…)

O infante expressou os mesmos sentimentos de lealdade para com seu pai e, ao falar comigo, admitiu ter sido enganado quanto ao marquês de Palmela. Não se opôs à sua libertação, que ocorreu naquela noite. Desde então, voltamos a contar com os conselhos de Palmela.


Hesitação do rei e temor pessoal

Pedi ao rei licença para uma conversa privada com o infante, que durou cerca de uma hora e meia. Mostrei-lhe as consequências de uma divisão entre ele e o pai, pois, embora declarasse obediência, ainda agia — ou deixava que outros agissem — de modo independente. (…)

Desde então, a culpa tem estado do lado do rei, por não tomar decisões ou agir. Ontem, quando o instei a fazê-lo, ele respondeu francamente: “Mas eu gostaria de ter primeiro a minha pessoa em segurança”, e insistiu em embarcar para um navio. (…)

Foi emitido um decreto de caráter brando, que perdoava a conduta do príncipe, considerando as intenções que o moveram, e ordenava o julgamento sumário dos presos. (…)

Escrevo tudo isto às pressas, pois voltei tarde do palácio. O rei ainda está temeroso e abatido, e confia menos nas palavras do filho do que este talvez mereça. Essa desconfiança e reserva aumentam o perigo de que o príncipe volte a se rebelar.


Relatório do Marechal Beresford ao Duque de Wellington — Carta 2 (sobre a “Abrilada”, 1824

Mencionei em minha última carta que todo o corpo diplomático — exceto o visconde de Quabeck — instava o rei a buscar refúgio a bordo de um navio, e que eu me opus a isso com todas as minhas forças. (…)

Era impossível, para quem não estivesse cego por paixões ou interesses particulares, deixar de ver que, embora a conduta do infante fosse imprópria e injustificável, ele não tinha qualquer intenção contra o pai. Fora apenas conduzido por pessoas astutas, e a principal delas era a rainha.


Submissão de Dom Miguel e influência da rainha

Nesse mesmo dia, o infante veio, a meu pedido, ao encontro de seu pai e, diante dos embaixadores, declarou seu respeito e desejo de obedecer-lhe, afirmando que tudo o que fizera fora para salvar a vida do rei. (…)

O infante vivia no palácio e, duas vezes por dia, beijava a mão do pai. Quando chamado na presença dos ministros, repetiu duas vezes sua disposição de obedecer a qualquer ordem do rei, chegando a perguntar se ele lhe daria alguma. Sempre se comportou diante do pai com a maior humildade. (…)

A verdade é que se trata de um jovem de caráter forte, mas cuja educação — por ciúmes do rei — foi inteiramente negligenciada. Esse caráter manifesta-se agora em ações impulsivas e desordenadas. Embora não lhe faltem talentos, falta-lhe experiência. Como o pai o mantinha sempre à distância, vendo-o apenas nas refeições, a rainha conseguiu dominá-lo, cercando-o de pessoas que escolheu para servir aos seus desígnios.


Indecisão do rei e influência estrangeira

Eu já estava cansado da indecisão do rei. (…) Sir Edward Thornton, contudo, tivera uma audiência, e creio que nela foi acertado todo o plano para que o rei fugisse a bordo. (…)

O rei, que pouco antes se encontrava na mais profunda melancolia, estava agora de ânimo extraordinariamente alegre, tentando mudar de assunto sempre que eu mencionava a situação política. Vi logo que havia tomado sua decisão, e, ao sair, declarei que não voltaria ao palácio senão por ordem expressa. (…)


Partida do rei e reação de Dom Miguel

Assim que o infante soube que o rei estava a bordo, montou a cavalo e galopou até Belém, passando por vários quartéis sem dar ordem alguma. Ao chegar, embarcou imediatamente e foi ter com o pai — demonstrando, com esse ato, a injustiça das suspeitas e acusações que lhe haviam feito quanto às intenções em relação ao rei.


Comentário final de Beresford

Os diplomatas que aconselharam o rei a embarcar deram uma razão curiosa: diziam que, se ele não estivesse fora de perigo, não se deixaria persuadir a adotar as medidas enérgicas que seus ministros recomendavam. (…)

Observo que é uma razão curiosa, pois foram justamente esses mesmos diplomatas que provocaram tal indecisão — explorando a timidez natural do rei e insistindo que agir como lhe aconselhavam seria perigoso para sua pessoa. Assim, como já disse, ele se inclinava facilmente para aqueles que lhe ofereciam uma desculpa para seguir sua inclinação natural à hesitação.


Relatório do Marechal Beresford ao Duque de Wellington — Carta 3 (20–21 de maio de 1824)

(após o exílio do Infante Dom Miguel e o retorno de Subserra e Palmella ao poder)

A conduta do infante naquele dia — quando, por meio de suas proclamações, enganou o exército — fez com que perdesse grandemente sua confiança. (…)

A imprudência, a incoerência e o caráter desordenado de suas ações posteriores não apenas lhe fizeram perder o respeito, mas tornaram toda a população indignada contra ele. Se os acontecimentos tivessem se prolongado por mais alguns dias, uma insurreição contra o infante teria sido inevitável. (…)

Ninguém duvidava de que a rainha fosse a principal instigadora de tudo.


Responsabilidade de Subserra e intrigas políticas

Todos sabiam que a culpa original cabia ao conde de Subserra, que colocara o infante naquele comando — não por motivos políticos ou patrióticos —, mas apenas para impedir meu retorno ao posto de comando. Ele foi tão imprudente que chegou a se gabar disso num grande jantar em sua própria casa. (…)


Situação política após a “Abrilada”

Desde o ano de 1820, não creio que Portugal, nem sua política interna, tenham estado em tamanha confusão ou dificuldade como agora. O rei não age senão movido por um único sentimento: o de sua segurança pessoal. (…)

Não se importa qual partido prevaleça ou que princípios venham a se estabelecer, contanto que sua pessoa esteja em segurança. E lamento dizer que ele agora se inclina fortemente para o partido democrático ou constitucionalista — por ser aquele que se opõe à rainha e ao infante.


Beresford, Carta 4

Beresford já não está à frente dos acontecimentos políticos, mas o que ele relata possui corroboração autoritativa. Palmella e Subserra estão determinados a impedir que o Infante tenha sucesso em Portugal. As Cortes deveriam nomear uma regência em caso de morte do rei. O trono passaria para o segundo filho do Imperador. O Infante seria excluído da regência. Considerou-se a irmã da falecida Rainha ou a filha mais velha e solteira do rei.

A exclusão de Dom Miguel da sucessão, caso Dom Pedro abdicasse do trono de Portugal mantendo apenas o do Brasil, não teria aprovação geral. Se Dom Miguel retornasse a Portugal “e provocasse uma guerra civil, o resultado seria incerto, embora não assim o mal que inevitavelmente seguiria para a nação”. Isto não é rumor.


Relatório do Marechal Beresford ao Duque de Wellington — Carta 5 (após o retorno de Subserra ao poder, 1824)

Subserra passou a identificar seus inimigos com os inimigos do próprio rei — por instigação de sua esposa. (…)

Ficou evidente que a anistia anunciada não passava de um artifício. A anistia, porém, foi vigorosamente oposta pelos constitucionalistas, e não há qualquer sinal de que venha realmente a ser posta em prática. (…)

Alguns constitucionalistas ocupam agora cargos de destaque, enquanto importantes realistas foram presos ou afastados de suas funções. (…)

O rei já não é visto com o mesmo respeito e consideração pela maioria das pessoas sensatas deste país como fora anteriormente.


Memorando de Lord Beresford ao Duque de Wellington sobre os acontecimentos de 30 de abril de 1824

Por volta das seis e meia da manhã, fui informado pelo meu mordomo que, durante a noite, o rei fora atacado em seu palácio da Bemposta, e que o infante Dom Miguel havia escapado por uma janela. Disseram-me que tropas estavam se reunindo na Praça do Rossio, que o infante já passara por minha casa e se achava nos quartéis das tropas em Belém.

Quando tentei seguir para o palácio, as sentinelas não permitiram minha passagem sem ordem ou salvo-conduto do infante — o que recusaram mesmo quando eu disse que ia ao rei. (…)

O próprio infante havia me enviado a proclamação dirigida aos soldados, e nela percebi de imediato a natureza do movimento — o que aumentou meu desejo de chegar até o rei. (…)

Fui finalmente admitido à presença de Sua Majestade e perguntei o que significava toda aquela movimentação. O rei respondeu que nada sabia ao certo: que o infante iniciara aquilo de madrugada, proclamando que existia uma conspiração para assassinar a família real, mas que ele, o rei, não acreditava nisso e duvidava do verdadeiro objetivo do movimento. (…)

A rainha chegou pouco depois, acompanhada da infanta Dona Ana, aparentando surpresa e queixando-se de ter sido despertada bruscamente. Em tom baixo, porém, dirigindo-se a mim, disse: “Estão todos presos — até o Marquês de Palmela.”

O infante Dom Miguel apresentou-se então ao rei. Perguntado sobre a causa de tudo aquilo, declarou — com aparência sincera — que agira apenas para salvar a vida de seu pai e da família real. Explicou que fora levado a crer na existência de um complô para assassinar primeiro a rainha e a ele próprio, e depois, sob falsos pretextos de lealdade, o próprio rei. Disse que seu único objetivo era a segurança de Seu Pai e que lhe obedeceria em tudo. Quando o rei perguntou se faria a mesma declaração diante do corpo diplomático, o infante respondeu afirmativamente e desceu com o rei para repetir publicamente sua submissão e lealdade.

Eu o questionei: “Vossa Alteza mandou prender um dos ministros de Sua Majestade; como pode imaginar que o Marquês de Palmela conspiraria contra o rei? Que crime pode haver contra ele?” O infante respondeu: “É verdade — as acusações contra o marquês foram exageradas e parecem triviais.”

A partir daí, Monsieur de Neuville (embaixador francês) passou a dizer que seria perigoso permitir que o rei continuasse a exercer autoridade, sugerindo que Sua Majestade buscasse refúgio a bordo do navio de guerra britânico Windsor Castle. (…)

O infante havia indicado documentos que, segundo ele, provariam a existência do complô. Quando os examinamos, nada se encontrou que indicasse conspiração — apenas algumas ligações soltas de indivíduos suspeitos de maçonaria, sem sinais de combinação entre eles. Era visível que Dom Miguel ignorava o que realmente se passava e apenas repetia o que lhe haviam dito. O rei o repreendeu duramente, e o infante ouviu em silêncio, com humildade.

O infante repetiu, de modo natural e solene, que seu único objetivo fora preservar a vida do pai e garantir-lhe o pleno exercício de sua autoridade. Acrescentou que queria apenas eliminar as sociedades secretas — os “maçons” —, por considerá-las políticas e perigosas à monarquia, e que os presos deveriam ser julgados segundo a lei. (…)

O rei mostrava-se indeciso, mas claramente inclinado a seguir o conselho dos diplomatas e embarcar. (…)

O Conde de Subserra vangloriara-se, em jantar em sua própria casa, de ter sido ele quem colocara o infante no comando das tropas — não por patriotismo, mas para impedir o retorno de Lord Beresford ao comando militar. Assim, colocara um jovem príncipe inexperiente, sem educação nem formação militar, à frente de um corpo que não compreendia a extensão de sua autoridade.

Eu lhe disse, numa das conversas: “Vossa Alteza está tirando a coroa da cabeça de Sua Majestade.” Ele assustou-se e respondeu: “Marechal!” — ao que repliquei: “Sim, porque se Vossa Alteza toma a autoridade do rei ou o priva dela, a coroa é apenas um símbolo sem valor.”

Quando soube que o rei estava a bordo, o infante montou a cavalo e correu para Belém, passando por quartéis sem dar qualquer ordem, e embarcou imediatamente para se reunir ao pai. Tal atitude, a meu ver, provava a sinceridade de suas intenções e desmentia as acusações de traição.

Assim, ele se juntou voluntariamente ao pai, e por ordem, e toda a transação desde o momento em que soube que o rei estava a bordo confirmou plenamente para mim a sinceridade de sua declaração de respeito filial e obediência às ordens de Sua Majestade. Ele foi imediatamente apresentado à presença de Sua Majestade, estando presentes apenas o Marquês de Palmella e eu. O rei dirigiu-se a ele e, com considerável temperamento exaltado, repreendeu-o pelo comportamento que havia seguido, dizendo particularmente: “Não lhe falei em terra porque não me senti seguro, mas agora que estou em segurança, lhe direi minha opinião.”

Ao falar com o infante, Sua Majestade disse que a conduta deste só lhe deixara duas opções de ação, sendo uma delas abdicar — e, assim que Sua Majestade pronunciou essa palavra, o infante exclamou com grande veemência: “Abdicar? Se Vossa Majestade tivesse feito isso, eu teria lançado-me ao mar.” No restante, ele ouviu o pai com grande respeito e não fez outra resposta.

No dia seguinte, o Marquês de Palmella decidiu pelo banimento do infante.

(Subserra) Assim que a revolução irrompeu, ele abandonou a França realista para vir à Portugal revolucionário, foi nomeado Ministro da Guerra do governo das Cortes, depois membro das Cortes, e novamente os traiu ao se vincular ao Infante Dom Miguel, depois que este havia deixado Lisboa e chegado a Villa Franca, quando mandou chamar Pamplona, que tinha uma casa de campo nas proximidades.

Ao chegar a Santarém com o Infante, um nobre lhe perguntou: “O que dirão as Cortes ao descobrirem que você as deixou?” Ele respondeu: “Só poderão dizer: aqui está mais um ato de traição de Pamplona.”

O objetivo declarado do infante era eliminar os maçons e afastar os ministros que julgava ligados a eles.

Houve dois resultados principais dos acontecimentos de 30 de abril: o embarque do rei e o exílio do infante.

Eu me opus firmemente ao primeiro e não fui consultado sobre o segundo, que também não teria aprovado.

Disse aos que aconselhavam o embarque: “Se o infante tem as intenções que vocês lhe atribuem, estão lhe deixando o campo livre. Sem o rei em terra, o partido realista não terá liderança nem ponto de reunião.”

meu ver, o único perigo real por parte dos soldados surgiu após o embarque do rei, quando começaram a acreditar que toda a família real estava prisioneira. Esse sentimento agravou-se com a notícia de que o infante seria exilado — fato que eu já previra.

Se o infante tivesse realmente as intenções que lhe foram atribuídas, a medida de embarcar o rei teria sido fatal.


Marechal Beresford ao Duque de Wellington, Carta 6

(sobre as perseguições de Pamplona) Os prisioneiros, detidos há dois meses, ainda não sabem de quais crimes foram acusados; espera-se que incriminem a Rainha, o Infante ou a si mesmos.

“Eles fazem com que o infeliz Rei agora aja e fale conforme eles desejam.”

“Ele é agora, meu caro Duque, outro Dom Sebastião, sua vinda é esperada, e eu lhes disse na ocasião, e agora vejo que estava certo, que em qualquer momento eu preferiria ter seu corpo aqui do que seu espírito; o primeiro é tangível e pode ser confrontado, o outro permeia todos os lugares e não pode ser encontrado em lugar algum.” (provavelmente é uma fala de Dona Carlota. A transcrição foi resumida e somente buscando o original é que seria possível tirar a dúvida)

Beresford sempre mostrou à Rainha o devido respeito. Ela nega ter incitado o Infante. Ela teria aconselhado que ele permanecesse em Lisboa. Beresford acredita que ela persuadiu o Príncipe a agir, mas não tinha controle sobre ele. Ao seguir o pai a bordo do navio, ele imediatamente frustrou todos os planos que haviam sido feitos.